Espiando o existir-se  ou Escricenação com Cherepaka

//Espiando o existir-se  ou Escricenação com Cherepaka

Espiando o existir-se  ou Escricenação com Cherepaka

Será que a dança pode ser sobre a forma do corpo? E quantas são as formas possíveis essas do corpo… de cada corpo… e desse 

Porque cada corpo tem uma forma … tem a sua forma 

E também cada bicho… o que se pode dizer do corpo do bicho? Do corpo do homem? Do homem-bicho…

Talvez, com um certo trabalho, seja possível ter um corpo em forma de bicho

Um tanto de trabalho corporal e…

 Tartaruga

Ou

t    a      R

Ta

ru 

ga

a

a          a        a        a          a        a    

Um corpo casa

Vá       ga              Ro        sa        Men                  te

Um corpo que se carrega partes sobre partes

Através de pedaços que inesperadamente se alcançam demoradamente, com controle e presença

Com respiração que respira

Ação

Que corpo é esse que mesmo quando está parado se move?

Espreguiçar de escapulas e de braços esparramados no chão que lentamente movem os dedos para fora em expansão

Pés que cabem nas asas, virados para trás através de arcos da coluna. Ou coluna virada para trás através de arcos de pés que cabem nas asas. 

Pés que cabem nas asas …

Cabeças que cabem no meio das pernas

Pernas que descansam atrás das costas

Corpo que se vira e se revira por volta da cabeça ou a cabeça por volta do tronco e as pernas ficam e vem depois

 Às vezes as pernas se apoiam, às vezes se comunicam em chicote amplificado, pisadas microfonadas 

Paulatinamente 

Ou ao contrário

A couraça se completa no figurino que se abre em dobraduras que partem da cintura para mostrar atrás  uma coluna como ela merece. Ela que sobe do cóccix até o pescoço e se completa em tranças até o cume no alto da cabeça. Figurino Terra, figurino casca … que se completa na pele e patas…e não cai! Se deixa levar…

Pés e mãos e antebraços que se colocam no chão com força e delicadeza… uma força de um peso delicado cheio de nuances e olhares atentos, ensimesmados e que se abrem. Passeiam de um para dentro … de em cada detalhe num “eu me preciso” para compactuarem com o estou sendo observado … 

Som expandido que vem dos pés (ou dos joelhos?), como quem escuta pertinho do chão passos de andar,  de apoiar, de rastejar, de arrastar, de mexer, de remexer. Revirar. Plaft!

A presença de quem olha de frente e se reflete em sombras de lado permitindo a visualização de duas da mesma forma, ou de duas formas da mesma. Um  ser tridimensional que no mundo das ideias é sombra. E você assim entenderia ele como? 

Uma primazia de performance que faz pensar o corpo e  sua dança única com toda uma atmosfera de som e luz pensado para espiarmos a intimidade de um existir-se. 

FICHA TÉCNICA 

Concepção e performance: Andréane Leclerc

Dramaturgia: Aline Muheim

Concepção de Luz e Som: Alexis Bowles

Figurino: Marilène Bastien

Direção Técnica: Valentin Foch

Produção: Nadère Arts Vivants

Produção Turnê: Catherine Girard

Agenciamento: Fernando Zugno/ Canard Produções

2026-09-24T08:15:33-03:00By |Categories: Blog Crítica Expandida da Cena|

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